Local da área de Ciência das Religiões da Un. LUsófona onde procuramos rechear de conteúdo o conceito de Boas Práticas, quando aplicado ao universo religioso.

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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Mário Motas Marques, um desejo numa vida

Conheci o Mário Mota Marques há uns anos atrás. Não sei muito bem quando. Rapidamente o Mário Mota Marques passou a ser parte da forma como eu encarava o mundo, parte da minha mundivisão. Para mim, ele sempre existira.

 

Mas as meadas são para ter um fio. E este fio é o do diálogo entre as religiões e entre estas e o Estado. Quando cheguei ao campo destas temáticas, trazido pelo nosso amigo comum, deparei-me com a figura sempre bem posta e ainda mais alegre, sorridente e agradável do Mário Mota Marques. Era ele quem conhecia os "cantos à Casa", se é que com tais imagens se pode falar do diálogo entre religiões.

 

Ele conhecia todos e era querido por todos. Muçulmanos, judeus, cristãos, budistas e hindús, só para citar alguns, todos reconheciam no Mário Mota Marques um dos elos fundamentais na sólida boa relação entre as religiões em Portugal.

 

Trabalhador incansável, impulsionador sem limites, o Mário Mota Marques trabalhava em lutas sem fim em prol da dignidade e da igualdade de tratamento entre religiões. Na sua capacidade louca de trabalho, ele era o elo de continuidade entre todos e, no fundo, trazia ao mundo uma das principais imagens que eu tenho da Fé Bahá'í: acima das diferenças religiosas, construir uma Casa Comum onde os princípios de humanismo sejam superiores a todas as dissenções.

 

Sendo Bahá'í, Mário Motas Marques era mais que a sua convicção religiosa. Ele trabalhava sempre para o grupo. Fomentava o diálogo. Exortava.  Dava sentido às coisas mesmo quando elas pareciam ser sacudidas por ventos fortes.

 

Espantosamente, imagem de alguém muito sólido, conseguiu olhar-me com um sorriso quando lhe disse que alguém de uma entidade do Estado responsável pelo diálogo com as religiões achava que a Fé Bahá'ís não devia ser integrada em certo projecto porque "não tinha a mesma nobreza das outras religões"...

 

O seu rosto hoje não desaparece da minha visão. Há uns meses telefonou-me a falar da sua doença. Falou com o mesmo semblante que colocava em tudo o que fazia. A voz era até alegre.  Estatisticamente, o desfecho da doença era mais que conhecido e provável.

 

Imagem dos constantes dramas da Humanidade, aqui em frente a este teclado, choro a morte de um Justo.

 

Exactamente por ser justo, sei que pôde seguir com a serenidade de ter deixado no mundo uma marca indelével. Acreditemos num destino, numa predestinação ou num plano, a verdade é que o Mário Motas Marques cumpriu um papel que a mais ninguém assentava e que mais ninguém conseguiu, como ele, desenvolver.

 

Se aos actores nos despedimos com uma salva de palmas, que ao Mário Mota Marques nos despeçamos com o abraço mais fraterno que entre nós possamos dar.

 

A mais sincera homenagem dos Professores, Investigadores e Alunos da área de Ciência das religiões da Un. Lusófona.

 

Paulo Mendes Pinto

(director)

publicado por Re-ligare às 11:04
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

o senso comum é damasiado comum para ser realmente senso

Caros amigos,

           

Deixo-vos aqui uma notícia que acaba de ser divulgada. Como normalmente se diz, os índices e os indicadores valem o que valem.... mas este sabe-nos bem. Especialmente no que respeita aos mitos criados contra o Ocidente.

                        

Não que eu defenda acerrimamente esse ocidente que ele próprio se critica tanto, mas porque o endeusamento do não-Ocidente cai por vezes em limites que a própria razão não explica.

                  

Lembro a frase espantosa de Saramago n'O Homem Duplicado: o senso comum é damasiado comum para ser realmente senso.

             

Ao menos, ficamos a saber que vamos trabalhando bem. Aceitando as críticas e esperando que os outros façam o mesmo.

               

_______________________________

                      

Retirado do Público de hoje:

              

Portugal é o mais "generoso" em políticas de integração

            

As medidas adoptadas por Portugal com vista à integração dos imigrantes foram premiadas pelas Nações Unidas. É o país com melhor classificação na atribuição de direitos e serviços aos estrangeiros residentes. A Índia, com uma parcela de imigrantes inferior a um por cento (em Portugal é de sete), foi a pior classificada no estudo ontem divulgado, feito com base em questionários a peritos de imigração de 42 países, entre os quais figuram a Suécia, França, Alemanha, Canadá, Espanha, Reino Unido, Chile e China.

O estudo faz parte dos mais de 60 que apoiam o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2009 da ONU, este ano consagrado aos "mil milhões de pessoas que se encontram em migração dentro dos seus próprios países ou para o exterior".

Isabel Pereira, especialista em políticas do Gabinete do Relatório do Desenvolvimento Humano, e uma das autoras do estudo que distingue Portugal, explicou ao PÚBLICO que através daqueles inquéritos se tentou perceber como era o acesso aos serviços de educação e de saúde, se os imigrantes tinham direito de voto e quais os seus direitos laborais e a assistência social às suas famílias. "No geral, Portugal mostrou-se mais generoso do que os outros países", diz.

Esta conclusão reforça o que foi apurado em 2007 pela organização independente Migration Policy Group, no seu Índice de Políticas de Integração de Migrantes (MIPEX), o qual é também agora citado pela ONU e que deu a Portugal o segundo lugar entre os 25 países da UE.

50 mil ilegais

As iniciativas portuguesas para a integração dos imigrantes "estão na vanguarda da Europa e do mundo", constata Isabel Pereira. Mas como tanto o MIPEX como o estudo de que é co-autora avaliaram sobretudo o quadro jurídico, a investigadora adverte que falta olhar para o resto: "Muitas das iniciativas adoptadas são de 2007. São muito recentes. É preciso ainda avaliar a sua aplicação, a sua eficácia."

A avaliação já feita choca com o quadro de "escravatura moderna" que, segundo as associações de imigrantes, continua a subsistir em Portugal, e de que são vítimas os cerca de 50 mil irregulares que por cá permanecerão.

A resolução desta situação constitui "um desafio para Portugal", admite Isabel Pereira, lembrando que o país "não estava habituado a gerir fluxos de imigração". Era mais um país de emigrantes do que destino de imigrantes e continua, aliás, a sê-lo. Por cada 15 novos imigrantes que chegam, saem 100 portugueses para o exterior, segundo revela um estudo de Helena Rato, do Instituto Nacional de Administração.

Intitulado Ultrapassar Barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humanos, o relatório de ONU de 2009 parte de uma constatação: "Para muitas pessoas em todo o mundo, sair da sua cidade natal, ou da sua aldeia, poderá ser a melhor - ou, às vezes, a única - opção para melhorar as suas oportunidades de vida."

E tem um objectivo ambicioso: levar os governos a fazerem o contrário do que muitos têm praticado, alargando os "canais de entrada existentes para que mais trabalhadores possam emigrar", embora mantendo o sistema de quotas. E dando-lhes direitos, entre eles o de não permanecerem ilegais. Com as migrações garante-se mais riqueza, maior circulação de ideias e troca de culturas e, por isso, mais desenvolvimento humano, defende a ONU.

 

publicado por Re-ligare às 11:44
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