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Domingo, 4 de Abril de 2010

Primeiro lugar multi-religioso em hospitais estará pronto até final de 2011

O projecto de lugar multi-religioso que será construído no Hospital de São João, no Porto, deverá estar pronto até final de 2011 e será modelo para espaços semelhantes a construir nos novos hospitais. O projecto, a que o PÚBLICO teve acesso, inclui sete pequenos lugares de oração para diferentes credos como cristianismo (protestante e ortodoxo, uma vez que os católicos já têm uma capela), judaísmo, islão, budismo ou hinduísmo.

No caso dos muçulmanos, o seu pequeno oratório (como se fosse um mehrad das mesquitas) estará mesmo orientado para Meca, como manda a regra do islão. "Cada um dos lugares tem sempre um símbolo específico de determinada religião ou uma orientação, como o caso do islão", diz o arquitecto Abrunhosa de Brito, do gabinete responsável pelo projecto.

Na memória descritiva aponta-se mesmo esta "ambiguidade" como a marca distintiva do lugar multi-religioso: "Por um lado, formular a resposta a uma necessidade - lugar de oração - por outro, agregar a diversidade de povos, culturas e religiões".

O espaço define-se como um rectângulo, nas laterais do qual se dispõem os volumes, com distintas formas, correspondentes às diversas religiões. Haverá símbolos diferentes para cada uma das religiões, mas poderá haver casos em que o mesmo símbolo sirva diferentes credos. Por exemplo, uma flor de lótus pode ser o símbolo comum de budistas, hindus e bahá"ís.

No caso das minorias cristãs, os ortodoxos terão um oratório próprio, tendo em conta o peso e a dimensão da imigração de Leste em Portugal. Na maior parte dos casos, esses imigrantes estão ligados à Igreja Ortodoxa ou a ritos católicos orientais.

Como elementos caracterizadores, estarão presentes a água, a terra e a luz. A água é utilizada no painel frontal à assembleia, a terra estará presente através de plantas endémicas de cada região e através de um pequeno jardim adjacente que os autores sugerem que seja construído. A luz entrará através de frestas e clarabóias. "São três elementos comuns à humanidade e às religiões", diz Abrunhosa de Brito.

A ideia deste lugar surgiu antes da lei que regulamenta a assistência espiritual nos hospitais. "O hospital deve constituir-se como um lugar e fazer tudo para respeitar a singularidade de cada pessoa", diz o presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João (HSJ), António Ferreira.

"O ser humano doente é de uma complexidade multifacetada - humana, cívica, cultural, espiritual, religiosa. Por isso, desde 2005, desenvolvemos um conceito de serviço religioso que garantisse a assistência espiritual de todos os que quisessem e a assistência religiosa dos crentes", acrescenta o responsável do São João.

Este espaço, que ficará situado na ala norte do HSJ, deverá estar construído até final de 2011, juntamente com outros dois serviços clínicos e perto da capela católica. No caso dos novos hospitais, o secretário de Estado da Saúde, Óscar Gaspar, assumiu o compromisso de "incorporar um espaço com este perfil" nos equipamentos a construir, bem como nos que venham a ser reformulados em breve.

Citado pela Ecclesia, o secretário de Estado, que esteve presente na reunião em que o projecto foi apresentado, dia 23 de Março, afirmou que o projecto é "inspirador" e "satisfaz os objectivos" do decreto-lei regulamentador da assistência espiritual hospitalar. "Este exemplo convence", acrescentou, a propósito da alternativa entre um espaço neutro ou um lugar multi-religioso que "pode ser comum e respeitador das singularidades".

O coordenador da capelania católica, padre José Nuno, vê com bons olhos a iniciativa da administração do HSJ: "É um lugar de muitos lugares, um espaço ao qual as pessoas imprimem carácter e que, por isso, se torna num lugar", afirma.

"É a concretização de um conceito que vai ao encontro da preocupação de proporcionar a cada tradição que se sinta em casa", acrescenta José Nuno, que destaca também a "importância pedagógica" da iniciativa, no sentido de construir uma sociedade inclusiva.

Uma das religiões que irão beneficiar deste novo lugar multi-religioso é o islão. "Foi uma surpresa agradável" ver o projecto, conta Abdool Rehman Mangá, presidente da Comunidade Islâmica do Porto. Abdool Mangá destaca a capacidade deste novo lugar para "ajudar a reflectir sobre a dor e a doença" num "espaço acolhedor" como este.

                

Retirado do Público, 4 de Abril de 2010.

publicado por Re-ligare às 11:16
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