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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Alemanha considera formar imãs com ensino de estudos islâmicos nas universidades

Alemanha considera formar imãs com ensino de estudos islâmicos nas universidades

O ensino de teologia islâmica na universidade para treinar académicos, professores e imãs deveria ser levado a cabo em universidades públicas na Alemanha como meio de integração dos muçulmanos, dando acesso a uma educação religiosa sobre o islão que não dependa de líderes religiosos vindos do estrangeiro.
A proposta foi feita na sexta-feira pelo Conselho para as Ciências e Humanidades, que apresentou um relatório depois de dois anos a estudar o ensino religioso na Alemanha. A falta de institutos dedicados ao ensino do Islão nas universidades alemãs como os que existem para a teologia cristã e judaica "não faz justiça à importância da maior comunidade religiosa não-cristã da Alemanha", considerou o relatório.

Há mais de quatro milhões de muçulmanos na Alemanha, numa população total de cerca de 80 milhões. O relatório diz que há 700 mil alunos muçulmanos que precisariam de dois mil professores de Islão se o Estado oferecesse aulas da religião.

"Para mim, esta é parte de uma política de integração moderna", comentou a ministra da Educação, Annette Schavan, à rádio Deutschlandfunk. "A principal questão é qual vai ser o nosso parceiro no desenvolvimento desta ideia."

Vários países europeus têm tentado formar professores para não deixar a educação religiosa islâmica nas mãos de formadores vindos do estrangeiro. Mas têm esbarrado numa dificuldade: em geral, não há uma autoridade religiosa muçulmana única que ajude na elaboração dos planos de estudos.

Numa série de países há escolas religiosas privadas, por exemplo no Reino Unido ou na Holanda. Mas estas têm sido criticadas quer pela sua qualidade e gestão financeira, quer pela sua abordagem ideológica diz, no seu estudo Teaching about Religions in European School Systems, Luce Pépin, especialista em questões de cooperação na educação na Europa.

O relatório alemão também argumenta contra a opção das escolas privadas, dizendo que os estudos islâmicos devem ser feitos nas universidades públicas para assegurar que têm os mesmos padrões académicos dos estudos teológicos das outras confissões.

A maioria das escolas alemãs oferece educação religiosa, mas há falta de professores de Islão, o que faz com que os estudantes recorram a aulas em centros comunitários, onde os professores são estrangeiros.

Na Alemanha há apenas duas universidades, de Münster e de Osnabrück, que oferecem pequenos cursos. O da Universidade de Münster foi já criticado por várias organizações muçulmanas alemãs porque um professor - um alemão convertido - tinha questionado a existência de Maomé, o profeta dos muçulmanos, lembra a agência Reuters.

Segundo o estudo sobre o ensino religioso nos sistemas escolares europeus, o país em que o ensino do Islão está mais bem integrado será a Áustria - a autora explica que o sucesso deste caso se deve também ao facto de haver uma única organização muçulmana que negoceia com as autoridades.

Na Holanda há uma Universidade Islâmica em Roterdão, aponta Pépin, e ainda um curso para imãs na Universidade de Ciências Aplicadas. Em Espanha, há ensino de Islão em escolas primárias na Andaluzia, Catalunha e Madrid, e em Inglaterra tem sido privilegiado o ensino de várias religiões, incluindo a muçulmana. Em França, a comissão que debateu o véu integral rejeitou uma proposta de uma Escola Nacional de Estudos sobre o Islão.
Fonte: Publico Online

 

publicado por Re-ligare às 16:34
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